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Estados se reúnem para validar estudo sobre desertificação

Evento em Fortaleza teve participação de especialistas de cada estado nordestino

O Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) está desenvolvendo, em parceria com a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) e a Fundação Cearense de Pesquisa e Cultura (FCPC), o estudo Estado da arte da desertificação, degradação da terra e seca no Semiárido brasileiro: tecnologias e experiências de recuperação e mapeamento das áreas vulneráveis.



Para validar o estudo, estiveram reunidos em Fortaleza nos dias 30 e 31 de março, especialistas de cada estado nordestino para examinar os resultados e conclusões do trabalho de mapeamento das áreas suscetíveis à Desertificação no Brasil. Com base nessa oficina, o estudo foi revisado e preparado para publicação e disseminação.

Para o assessor técnico do CGEE e coordenador do estudo, Antônio Magalhães, sobretudo no que diz respeito ao Brasil, o momento é estratégico para discutir questões ligadas à seca. “No Brasil, a incidência de secas e desertificação é uma realidade, em particular na região semiárida do Nordeste. Agora, esse assunto torna-se ainda mais importante devido aos problemas enfrentados pelas regiões metropolitanas de São Paulo e, mais recentemente, Rio de Janeiro e Belo Horizonte”, argumenta.



O trabalho do Centro mostra o quadro atual dos conhecimentos e informações sobre DLDD (sigla em inglês para Desertificação, Degradação da Terra e Seca) no Semiárido brasileiro e estados nordestinos. Essas áreas são suscetíveis a secas recorrentes e possuem territórios expostos aos processos de desertificação. O estudo também avalia experiências e tecnologias disponíveis e potencialmente aplicáveis à recuperação dos solos, da biodiversidade e da conservação dos recursos hídricos.

“Há exemplos bem sucedidos de tecnologias aplicadas no Ceará para recuperação de microbacias hidrográficas. Experiências semelhantes foram desenvolvidas em outros estados, como o Paraná. As tecnologias precisam ser adaptadas às condições de cada região, mas, a princípio, poderiam ser utilizadas também no Sudeste brasileiro”, afirma Magalhães.

O estudo do CGEE representa a contribuição brasileira ao documento O Panorama das Terras Secas da América Latina e Caribe (LAC Drylands Outlook). Esse trabalho será construído pela Iniciativa de Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento das Terras Secas da América Latina e o Caribe (AridasLAC), organização de instituições que trabalham com desenvolvimento sustentável nas terras secas da região, sob coordenação da Comissão Econômica das Nações Unidas para a América Latina (Cepal).

O CGEE e as outras instituições do comitê gestor da Iniciativa AridasLAC determinaram que o documento deve ser desenvolvido a fim de buscar a consolidação de informações sobre aspectos socioeconômicos e biofísicos das terras secas na América Latina e Caribe. A colaboração do Centro se dará no enfoque às experiências práticas de convivência com o Semiárido, de combate à desertificação, de recuperação ou restauração de áreas degradadas, assim como do manejo dos recursos hídricos superficiais e subterrâneos.

“Esse estudo deve ser seguido por trabalhos semelhantes em outros países da América Latina, caso considere-se que a metodologia é adequada. A ideia é que tenhamos um mapa de toda a região que identifique áreas secas e passando por processos de desertificação”, destaca Antônio Magalhães.


Fonte: CGEE
30 de março de 2015

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